Resenha literária: Série Os Imortais

Sinopse de “Para Sempre” primeiro livro da série: 
Os Imortais: Ever Bloom tinha uma vida perfeita: era uma garota popular, acabara de se tornar líder de torcida do principal time da escola e morava numa casa maravilhosa, com o pai, a mãe, uma irmãzinha e a cadela Buttercup. Nada no mundo parecia capaz de interferir em sua felicidade, o céu era o limite! Até que um desastre de automóvel transformou tudo em um pesadelo angustiante. Ever perdeu toda a sua família. Mudou de cidade, de escola, de amigos, e agora, além de todas essas transformações em sua vida, ela precisa aprender a conviver com uma realidade insuportável: após o acidente, ela adquiriu dons especiais. Ever enxerga a aura das outras pessoas, pode ouvir seus pensamentos e, com um simples toque, é capaz de conhecer a vida inteira de alguém. É insuportável. Ela foge do contato humano, esconde-se sob um capuz e não tira dos ouvidos os fones do i-pod, cujo som alto encobre o som das mentes a seu redor. Até que surge Damen. Tudo parece cessar quando ele se aproxima. Só ele consegue calar as vozes que a perturbam tão intensamente. Ever não entende o porquê disso, mas é incapaz de resistir à paz que ele lhe proporciona, à sensação de, novamente, ser uma pessoa normal. Ela não faz ideia de quem ou o quê Damen realmente é. Sua única certeza é estar cada vez mais envolvida… e apaixonada.
O livro é o típico clichê a julgar pela sinopse e sim, tem muitos elementos que remetem ao clichemismo — é, eu inventei uma palavra. Quero começar explicando que já havia lido esse livro há uns anos e, na época, adorei o primeiro livro. E isso não mudou tanto hoje, claro que após reler percebi muitos pontos negativos que devido a imaturidade não havia detectado, mas ainda assim a minha opinião geral sobre Para Sempre continuou.

Pontos Negativos

  •  A escrita da Nöel é boa, apesar de cansativa. Lá pelo quarto volume você já não aguenta mais — isso se deve também ao fato do enredo piorar bastante, mas falarei disso mais à frente. O livro é em primeira pessoa o que já nos garante uma visão limitada, direcionada apenas através dos pensamentos e pontos de vista da personagem principal.
  • Quanto aos personagens, de cara a Ever Bloom (uma coisa que acho legal ressaltar sobre o nome dela – é um trocadilho com o título original Evermore) é um saco. Desculpa a expressão, mas realmente não há OUTRA melhor. A autora quer porque quer que você goste da Ever ou que tenha pena dela e fique com aquela sensação “ah, tadinha”, especialmente porque ela perde a família em um acidente de carro e se torna uma excluída social no colégio depois. Só que ao meu ver ela não tem do que reclamar. Se sentir triste? Claro. Agora se culpar e achar que a partir dali tudo é ruim? Óbvio que não. Posso soar fria, mas a vida continua. Meses depois do acidente era de se esperar que ela tivesse superado o suficiente para seguir com a vida sem muitas lamúrias. Além do que, a Ever vai morar com a tia que é rica. Ou seja, ela mora numa mansão, tem um carro super caro, jacuzzi (mais tarde ganha o namorado mais lindo e cobiçado do colégio) e vive reclamando. Não só no primeiro livro, mas em todos. São seis volumes e em todos somos obrigadas a ler sobre os problemas (nem um pouco relevantes) que a personagem cria para si. Ela se mostra ser teimosa, mimada e imatura. Bem chatinha mesmo. 
  • E o Damen não está muito atrás. Ele é o típico príncipe encantado, o menino perfeito metido a rebelde e misterioso que faz com que todas caiam a seus pés, instantaneamente. No primeiro livro é tudo muito superficial. As coisas são apresentadas levianamente, mas a medida que a história se segue os personagens são abordados mais profundamente. E então podemos conhecer o passado de cada um deles. E a mesma abordagem da autora com a Ever — em procurar nos fazer sentir compaixão — é usada com o Damen. 
  • Uma história mal desenvolvida do início ao fim ( e aqui falo de todos os livros, não apenas do primeiro). Mas Ana, você pode perguntar, não há nada de bom nesses livros? Não há nada que salva a história? Sim, há. E vou falar sobre eles agora.

Pontos Positivos

Existem alguns pontos positivos que valem a pena serem ressaltados: 
Primeiro: a trama geral aborda um tema muito polêmico ou pouco usado nos livros atualmente: a espiritualidade. E nesse sentido, a explicação da autora e tudo que segue nessa linha é muito bem feito nos primeiros livros, já nos dois últimos ela foge (e muito) do contexto. E mesmo nesse sentido existem certas ideias que ela não soube explicar ou, se soube, foram mal explicadas. Por exemplo, eu não gostei da explicação da morte de um Imortal. E a própria autora se contradiz no final. Tem uma cena no quinto livro que um personagem morre. Até aí tudo bem. Mas então, ele volta a vida. E a autora não soube criar uma explicação convincente para que isso ocorresse. Ficou uma coisa muito falsa, muito “não consigo acreditar, mesmo se isso fosse uma história verídica”.
Segundo: a tradução da Intrínseca foi de mestre. Muito boa, soube perpassar para o português, inclusive, as piadas que seriam melhor entendidas em inglês, como as tiradas de um dos amigos da Ever, Miles. 
Terceiro: as capas. Quase todas belíssimas (a que eu não gostei foi a do quinto volume) e muito bem feitas. 
E o último ponto que quero ressaltar que “salva” a história são os personagens secundários, apesar da Alyson Nöel não ter aproveitado nenhum deles. Vou começar com o Miles — um dos amigos próximos da Ever e é gay — extremamente de bem com a vida, engraçado e sensato. Mesmo sendo apenas um humano. Bem próximo da nossa realidade. Falando nisso, uma das personagens que eu gostei e a maioria não curtiu foi a Haven — a outra amiga da Ever. O ruim sobre essa personagem é que a autora claramente queria que a gente a odiasse, desde o início (até porque depois ela se torna uma antagonista – previsível). A Haven é tudo o que alguém NÃO iria querer em uma amiga: ela é insegura, invejosa, ciumenta, impulsiva e até meio falsa. Porém ela representa bem as garotas da atualidade que por terem muitos problemas em casa acabam por se tornar assim. E isso é muito mais real do que a compaixão falsa que a Ever passa. De modo que eu gostei sim, da Haven. 
Os primeiros antagonistas são impressionantes: temos a Drina no primeiro livro — a melhor de todas. Que eu acho que a autora não soube aproveitar. Entretanto ela remete a verdadeira antagonista aquela que é movida puramente pelo ódio, pela inveja, orgulho e ambição. E ela não teve o fim que merecia — a batalha final entre herói x vilão é simplesmente de dar vergonha. E temos o Roman que fica do segundo até o quarto. Assim que entra na história ele é fraco. Não passa a maldade que a Drina passava, mas a medida que a história se desenvolve você percebe que ele tem os mesmos instintos egoístas quanto a ex- antagonista e você vê de fato uma evolução na maldade do personagem. E assim o Roman passa a demonstrar a que veio. Quando ela resolve mudar novamente o antagonista não há muito mais o que fazer. Tanto que a nova antagonista passa a ser a Haven e uma prova disso é logo ela sai e dá início a uma nova aventura sem vilões. Que na verdade foi uma aventura mal feita e mal explicada para dar um final à série propriamente dita. 
A melhor personagem da série inteira — que pra variar não foi bem aproveitada e sai, também, logo no primeiro livro — é a Riley Bloom. A irmã mais nova da Ever. E que não conseguiu seguir em frente como era o esperado ficando no plano terreno junto da irmã. A Riley é sensacional. Muito mais madura que a Ever. Bem desenvolvida. Inteligente. Literalmente rouba a cena quando aparece. E acho que a autora percebeu isso, pois assim que a saga da Ever acabou ela iniciou a série da jornada da Riley no plano espiritual — e que eu estou lendo e vou resenhar sobre o primeiro livro no próximo post. 

Concluindo

A história no geral é uma enrolação sem tamanho, cujo principal problema a ser resolvido pela protagonista é o fato dela querer fazer sexo com o namorado e não poder pelos motivos mais ridículos e absurdos. Não recomendo de jeito nenhum. Passa bem longe dessa série. O interessante é ler o PRIMEIRO LIVRO, sim, para conhecer a Riley e mais nada. E logo em seguida ler a série dela, pois essa sim é boa.

7 comentários Adicione o seu
  1. Amanda sim, o livro é MUITO CLICHÊ. Mas acredita: fica pior. O primeiro eu só achei interessante pela Riley mesmo e por ela tocar no ponto da espiritualidade que pra mim foi uma coisa bem nova na época que ele foi lançado.

  2. hahahahaha mas como assim? era pra vc n ler de novo miga HAHA zoera. Enfim, essa resenha eu fiz depois de mais velha e depois de ter relido mesmo, foi quando eu percebi na verdade todos os furos dos livros.

  3. Li até o terceiro livro, eu adorei o primeiro, é até hoje o meu favorito e predileto, na época que li ( e olha que tem um tempinho), eu tinha adorado, comprei o segundo, fiquei com o coração na mão, mas não me encantou como o primeiro, o terceiro foi bem regular, não sei se tenho interesse em continuar, pois acho que hoje, eu sinceramente odiaria a série, por isso prefiro me manter nos sentimentos que tive com o primeiro e lembrar com carinho a história, acredito que fosse um livro só, teria sido melhor.

    http://www.daimaginacaoaescrita.com/

  4. Mano, eu tenho raiva dessa história.
    Primeiro a Ever era a protagonista dos sonhos, bonita, popular, descolada, eu tava cansada das coitadinhas e das feministas.
    Depois ela é uma mala sem alça e sem rodinha.
    Daí você torce pelo amor deles e descobre que o amor dela é outro cara, que o daman é apenas um psicopata que a persegue em várias vidas.
    Primeiro ela transforma a amiga em imortal depois a amiga tenta matá-la.
    Francamente, três livros teriam sido o suficiente pra essa história.
    Fiz um vídeo falando sobre isso junto com o blog jovens leitores, da uma olhada depois Ana:
    http://tayletitshine.blogspot.com/2015/08/e-aisociedade-tudo-de-boas-por-aquiesta.html

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