Querido Jaime – Eduardo Lages

Querido Jaime

Você já leu um livro nacional esse mês? Se não, venho aqui resenhar para você o livro Querido Jaime do autor nacional Eduardo Lages,  ele é o primeiro autor parceiro do blog. O conheci em um grupo do facebook (O Beco dos Livros) divulgando uma foto do seu curioso escritório na Av. Paulista: uma mesa e um banquinho na calçada. Ele todos os dias monta seu pequeno espaço para vender seu primeiro livro.

O que me chamou atenção e me fez entrar em contato com o Eduardo para propor uma parceria, foram duas coisas: a primeira é que ele está criando sua oportunidade. Como assim, Iza? Você pode perguntar. Bem, todos sabemos que o cenário editorial brasileiro é estreito para novos escritores nacionais, eu penso até em fazer um post um dia discutindo esse tema com vocês, mas enfim, não é fácil publicar o primeiro livro de forma física e vende-lo bem, então Eduardo que como muitos novos escritores não tem uma oportunidade, resolveu criar a sua própria.

A segunda coisa que me chamou atenção foi a sinopse do livro e sua temática:

Jaime é um homem solitário de 72 anos que se sente oprimido pelo vazio de sua casa. Infelizmente ele também não gosta muito de sair e ver o mundo. No dia em que é forçado a deixar seu lar, o inesperado acontece e o idoso é lançado em uma jornada de autoconhecimento onde o palco é a selvagem cidade de São Paulo.

Bem, começando então a falar de fato da obra, lembrando que não tem spoilers, não se preocupe.

Uma visão geral do livro Querido Jaime

O livro é curto, em e-book (formato que li), tem 93 páginas. A narrativa é em terceira pessoa, há um protagonista e o enredo gira em torno de um acontecimento que se desdobra em outros como consequência. É o primeiro livro do autor Eduardo Lages e ele que fez a revisão, a capa, o projeto gráfico e a editoração eletrônica.

Resenha Crítica do livro Querido Jaime

O livro começa de forma intensa, nos apresentando um protagonista problemático, Jaime, tem 72 anos e mora sozinho, sua vida é apática e conforme a obra vai se desenrolando, conhecemos um personagem rancoroso e cheio de mágoas. Farei a seguir três considerações positivas e três de coisas que deixaram a desejar na obra.

Três pontos que merecem ser destacados:

  • O enredo é realmente muito bem construído. A história começa de uma forma nos apresentando um personagem nada simpático e os acontecimentos que se seguem, diferente do que pensei nos primeiros capítulos, dão uma reviravolta e nos fazem ter um misto de sentimentos, o que considero muito positivo, pois ninguém merece uma leitura monótona sem plot twists.
  • É diferente do que está sendo comercializado atualmente. Tanto em livrarias físicas quanto nas digitais, devemos reconhecer que o mais comum dentre 10 livros que encontramos é todos esses terem protagonistas jovens, jovem adultos ou adultos. E o Eduardo teve essa brilhante ideia de nos trazer um personagem, muito bem construído e idoso. As possibilidades com um personagem idoso em um livro parecem restritas a uma história chata ou cheia de bondade de vovozinha, mas não, aqui temos um personagem difícil com um passado mais difícil ainda, o que não justifica seu comportamento hostil, mas constrói a personalidade dele.
  • Eu já falei do enredo, mas tenho que falar de novo, porque a história perto do final toma um rumo onde você não consegue prever muita coisa e os palpites que dá, acabam errados e o final não é tão surpreendente, mas a conclusão nos traz uma maravilhosa REFLEXÃO para a vida. Não posso abordar mais esse ponto, para não dar spoiler, mas é um livro muito, muito significativo. Me fez chorar em uma linha e na outra me fez ser invadida pela realidade dura.

Dois pontos que precisam ser alertados:

  • Acredito que o livro precise de mais uma revisão em alguns capítulos, pois uma hora ou outra li palavras escritas erradas. Não sei se está assim no livro físico ou é só na versão digital, mas em alguns momentos me incomodou.
  • A narrativa me confundiu algumas vezes: esse narrador é observador ou participativo? Acredito que o narrador em muitos, muitos momentos deveria ter sido mais imparcial, porque a antipatia que senti por Jaime, acabou se estendendo para ele também o que não deveria acontecer, tendo em vista que é uma narrativa distante do personagem. Por exemplo: o personagem tem muitos pensamentos ruins em relação as pessoas a sua volta e usava palavras de baixo calão para descrevê-las e o narrador as repetiu logo depois, para descrever a pessoa também e eu particularmente não gostei desse efeito.

Então peixinhos que leram até aqui: estou muito feliz de ter feito essa parceria com o Eduardo Lages, porque é um livro bom. Indico para todos que queiram ler algo mais maduro. Da para ler em um só dia e o melhor: da pra refletir muito depois. Estou até agora pensando no final. Espero que tenham gostado dessa resenha e em breve vou trazer um sorteio de dois ebooks Querido Jaime. Fiquem ligados, sigam o blog nas redes sociais e no bloglovin para não perder nada!

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