O Curso Ideal: Como fui de Artes para Saúde em busca dele

Somos todos condicionados a sair do colégio e entrar direto em uma faculdade e não foi diferente comigo. Assim que sai do Ensino Médio eu tinha certeza do que queria: ser uma editora de livros.

Isso já faz quase 4 anos e eu me lembro dessa escolha com muito carinho, muito mesmo, pois apesar de uma série de fatores ter me feito perceber que eu não tinha sido realista ao escolher essa futura profissão, eu admiro muito as profissões que envolvem o ramo editorial, pois não é segredo que ler é minha paixão né?

A linha temporal da minha vida adulta

Eu sai do colégio com 17 anos e entrei no curso de Letras e fui pra beeeem longe da minha casinha. Pode parecer que não, mas sair de casa para estudar tem um peso gigante no rumo que nossa vida toma. Pois bem, eu estudei Letras por 1 ano e meio! E foi a partir do segundo semestre que percebi que havia algo errado.

A forma mais simples de identificar que você escolheu o curso errado é analisar se seu desânimo tem haver com fatores externos ou com seu interesse naquele curso. As vezes algum problema, seja de ordem financeira, pessoal, familiar está te consumindo de forma tão grande que acaba atingindo seu entusiasmo na faculdade e tudo parece errado. Mas as vezes, com tudo bem, na medida do possível, você não suporta mais seu curso.

E foi isso que aconteceu comigo nesse 2º semestre. Eu sabia que a faculdade não era um mar de rosas. Que professores e colegas me frustrariam e que algumas disciplinas seriam terríveis, mas eu já não tinha entusiasmo nem para aquelas matérias que supostamente eu deveria me interessar. Eu olhava a grade curricular dos próximos semestres e me sentia muito desanimada. Mas eu não queria ser precipitada então fiquei em Letras por mais um semestre, totalizando 3 semestres nesse curso.

Saindo de Letras

Eu fiquei com muito receio de sair do curso. Mas descobri que existia na minha universidade um curso interdisciplinar que permitia que o aluno explorasse diversas áreas de conhecimento, o chamado: Bacharelado Interdisciplinar.

Parecia um milagre em forma de curso. Pois eu não queria sair da faculdade, isso significaria ter que voltar pra casa até passar novamente em um vestibular e todo mundo que sai da casa dos pais sabe qual é a sensação de pensar em voltar sem ter cumprido “a missão” da vida adulta.

Federal sendo Federal, houve 1 greve nesse período que decidi mudar de curso e usei o tempo parada para amadurecer a ideia. Tomar mais coragem e rever o que eu queria para minha vida, bem eu tinha quase 20 anos e ainda não tinha amadurecido tanto a ponto de ter uma revelação divina sobre meu futuro.

Como decidir qual será a melhor profissão pra mim?

Essa era a pergunta que preenchia minha mente na maior parte do tempo. Fiz a prova de transferência para o popular Bacharelado Interdisciplinar e escolhi a modalidade “Artes” continuando de certa forma no mesmo caminho de Letras, só que agora com a possibilidade de explorar mais. A pergunta ainda me perseguia e entrando no “B.I” eu me empenhei em riscar todas as possibilidades de carreiras da minha lista:

Peguei disciplinas em Cinema. Amei, mas ser diretora de filmes? ou roteirista? muito interessante, mas não.

Peguei disciplinas em Comunicação. E consegui um estágio na área. Nada melhor que colocar a mão na massa! Foi incrível, explorei desde minhas habilidades de designer às de social media.

Explorei meu lado formal e despojado na área pelos meses que trabalhei na empresa (que era super moderna e descolada – jogar videogame na hora do almoço, é tipo Google né?) MAS eu percebi que apesar de super envolvida, eu poderia atuar por 3 ou 4 anos, mas não era algo que eu gostaria de fazer “pra sempre”.

A famosa crise existencial

O que fazer quando você já mudou de curso, tá explorando ao máximo suas habilidades, mas ainda está perdida?

Hoje eu sei que eu só estava procurando no lugar errado. Que nem era errado, era só uma limitação que eu mesma criei para me assegurar de testar coisas que estavam na minha zona de conforto. “Quê?!” você pergunta, pois bem: a solução para meus problemas veio quando e ONDE eu menos esperava.

No Bacharelado Interdisciplinar é regra pegar disciplinas de áreas opostas a sua modalidade. A minha era Artes, então eu tinha que pegar matérias de Humanas e Científicas também obrigatoriamente. E nessa de ter que pegar uma matéria científica eu escolhi uma aleatória de SAÚDE e quando a aula começou eu fiquei:

Por quê eu nunca pensei nisso antes?!

Bem, por vários motivos, porque nunca pensei nisso na época do colégio, porque eu não me enxergava na área e isso tem muito haver com a famosa representatividade. Mas eu quero falar sobre isso em um post específico. Nesse eu queria apenas resumir pra vocês a caminhada cheia de reviravoltas que foi e é a minha graduação.

Eu mudei muito, eu não sou mais o que era no colégio e por isso a minha escolha se perdeu no meio do caminho. Sair de Artes para Saúde não foi um novo delimitador para minha vida. Eu aprendi, principalmente porque meu curso é interdisciplinar, que nós somos muito mais que uma única escolha. Somos seres plurais, cheios de anseios diversos e aspirações distintas, como se encaixar em uma resposta só?

Há 1 ano eu comecei a estudar apenas disciplinas da área de saúde e sigo cada dia mais apaixonada. E sigo tentando conciliar essa nova área com por exemplo, meu amor por leitura e ficção. É possível isso? Bem, estou descobrindo e posso trazer minhas resoluções para vocês mais pra frente.

Eu só queria finalizar dizendo que se você tem dúvidas quanto a seu curso, seu futuro e o que você quer fazer: respire fundo, dê tempo ao tempo e explore muito. Olhe além do que você acha que pode fazer. Não se limite. Só se pergunte o que você vai querer ser quando crescer (não, você não cresceu totalmente ainda, mesmo se você tiver 50 anos) e se jogue de verdade. Tenho certeza que você vai conseguir.

5 Comments

  1. Durante meu tempo na universidade passei por duas greves, durante as duas usei para pensar realmente se deveria ficar, acabei ficando e formei, hoje penso que provavelmente faria outra coisa, ainda na área, porém só um pouco menos cheio de linguiça. Hoje até aconselho que demorem um pouco mais há entrar na faculdade e pensem BEM no mercado, no final ele que importa né?

    vidaemserie.com

    1. Com certeza Kamylla, acho que pensar no mercado e pensar se ele faz com que valha a pena suportar os pesares do curso é algo muito importante, dessa forma não desanimamos com os baixos da universidade, mas também focamos no nosso objetivo depois que sairmos dela. Eu também aconselho muito que as pessoas pensem bastante porque no fim das contas, se não nos identificarmos vamos sair do mesmo jeito, igual eu fiz. Obrigada pela visita! 🙂

  2. Caramba, Iza, que jornada! Fico feliz que agora você parece ter se “encontrado” na área da saúde! 😀
    Eu tive uma grande decepção com meu curso (Relações Internacionais) quando estava no terceiro semestre. Hoje em dia, já no último semestre, não me arrependo de não ter trocado de curso. Por muito tempo pensei em trocar para Comunicação Social (adoro a parte de Jornalismo), mas acho que fiz a escolha certa em ter continuado em Relações Internacionais. Meu objetivo pro futuro é conseguir juntar essas minhas duas paixões: Rel e Jornal ♡ Enfim, adorei conhecer seu blog!

  3. Esse tipo de post me inspira muito. Assim que sai do ensino médio recebi pressão de todos os lados, e acabei entrando num curso que não tem nada a ver comigo. No início eu até tentava me animar, afinal eu tinha conseguido vaga numa universidade pública depois de um ano estudando. Todos ao meu redor criaram expectativas sobre mim, expectativas essas que nem eu mesma tinha,. Quando resolvi sair, foi uma confusão, pois eu ainda moro com meus pais e eles juravam que eu não queria mais estudar, ou que eu estava jogando uma GRANDE oportunidade fora. Até hoje me sinto meio fracassada por conta disso, mas acho que as coisas vão melhorar assim que as aulas começarem ano que vem. Vou cursar psicologia, algo que eu sempre quis, mesmo que eu não vá trabalhar com isso ~para o resto da minha vida~ ou não queria seguir uma carreira mais tradicional no curso hehe 🙂
    Enfim, parabéns pela sua obstinação e pelo desabafo tão inspirador <3 xoxo!

    1. Oi Luana, acompanho suas postagens sobre esse assunto lá no Daydream e fico muito feliz de você ter gostado do meu post. Quando escrevo sobre esses assuntos o objetivo é sempre gerar identificação por parte de quem lê, pois sei que isso que a gente passa é mais normal do que parece, mas as vezes nos sentimos sozinhas nesse turbilhão de incertezas. Vai dar tudo certo pra você, estou aqui torcendo!

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