Liga da Justiça (2017) – Deu Liga?

Muitas vezes, a pior parte de um texto é justamente começar ele. Mas, infelizmente, eu não posso ficar esperando a introdução perfeita (até porque, esse texto já devia ter saído hoje), então vamos direto para a:

SINOPSE
Desde os eventos de Batman vs Superman , Bruce Wayne (Ben Affleck) vem tentando investigar os documentos deixados por Lex Luthor (Jesse Eisenberg). O que ele encontra mostra que, não só teremos problemas grandes no futuro, como vamos precisar de ajuda. Seria esse o começo de uma nova Era dos Heróis?

Aquaman, Mulher-Maravilha, Flash e Cyborg
Calmaria antes da treta

COMENTÁRIOS

Acho que é um consenso (a menos que você seja muito fã, e muito chato) que a Marvel faz filmes de médio para bom, e a DC, de médio para ruim. Porque isso? Cara, um monte de gente já se dedicou a falar sobre. Recomendo que vocês escutem alguns episódios do Melhores do Mundo , do Avante Cast, do Matando Robôs Gigantes, enfim, tem centenas de podcasts na podosfera, muitos deles dedicados à cultura pop, e boa parte sobre quadrinhos. E eu to falando só de podcasts. Neles vocês vão ver essa discussão, que eu não vou abordar muito aqui.

Até porque, e isso é importante para você, leitor, eu não sou um grande fã de quadrinhos de heróis. Leio algumas histórias que me interessam, mas não sou capaz de versar sobre o cânone de nenhum personagem, por exemplo. Inclusive, se você quer um texto de alguém MUITO fã no assunto, talvez seja a hora de parar.

Mas voltando, pra não me perder. Partindo desse preconceito, desde que anunciaram um filme da Liga MUITO próximo do lançamento de BvS, me pareceu mais uma medida desesperada de alcançar a Marvel do que necessariamente fazer um planejamento que fizesse o Universo Cinematográfico da DC (CDCU) ser equiparável ao da casa dos Vingadores. E isso é preocupante, porque veja, entre o primeiro filme da Marvel (Iron Man) e o primeiro Avengers se passaram 4 anos. Entre BvS (que dá início ao universo integrado dos heróis) e Liga da Justiça são. 1 “anos”. Óbvio que estou desconsiderando pré-produções, mas isso ilustra o quão “apertado” foi para preparar toda essa bagunça.

E sem contar que meio que BvS aconteceu também, né…? [1]

Então eu fui pro cinema como muitas vezes fui nesse ano: Com medo do que viria, mas tentando não esperar nada.

E isso foi bom, porque eu gostei do filme.
Mas com ressalvas

O QUE FOI RUIM

Bruce Wayne conversando com Barry Allen
“I’m rich”

Existe um problema muito grande em fazer uma história: o fato de você precisar que certos eventos ocorram para que ela continue fluindo. Então, quando se tem pressa, ou falta de experiência, esses próprios eventos que deviam permitir que a historia corresse, acontecem sem fluidez. Deu pra entender? Pra resumir: Às vezes escrevem as coisas ligeiro e fica tudo cagado.

No caso desse filme, tinham o problema claro de ter um monte de personagens, e vários deles ainda não terem sido apresentados nos cinemas. Um tem uma série em seu nome rolando, mas o personagem é diferente, até onde eu sei. Eles foram muito sagazes em não fazer grandes apresentações, mostraram só o básico de cada um, e deixaram para abordá-los em seus próprios filmes. Isso foi ótimo. Mas esqueceram de fazer diálogos melhores.

Meu deeeeeus, os diálogos! Cacete, que nervoso! Parecia que tava sendo escrito por um estudante iniciante de roteiro! Tinha umas horas que dava muita agonia, a conversa começava num ponto, e ia pra outro de uma maneira nem um pouco orgânica. O que só dava a impressão de que tinham pressa, precisavam fazer a história acontecer de qualquer forma, importando pouco se estava bem amarrada ou não. E isso é uma merda não só por ser um estilo que não me agrada, como porque mostra que estavam realmente correndo, e por isso ficaram descuidados.

Não só diálogos assim, como cenas inteiras mostravam uma preguiça, ou um excesso de pressa, que pra mim confirmaram meus temores anteriores: Esse não era o momento, ainda, de um filme da Liga. Ou pior, a sensação incômoda de “podia ser melhor, era só caprichar um pouco mais.

Porque o filme é bacana, afinal. Mas essa é a sessão das coisas ruins, então vamos pra outra:

MODELAGEM 3D

Cacete. Eu adoro vilões do videogame no videogame mas, se forem trazer pro cinema, por favor, caprichem mais. O antagonista desse filme parecia saído do PS4. “Ah, mas que bom então né? Ótimo hardware e…” NÃO QUANDO VOCÊ TÁ NUMA TELA IMAX COM PESSOAS DE VERDADE CONTRACENANDO! E esse é um erro que já aconteceu em Mulher-Maravilha, onde tem um monstro que aparece em dado momento que pelo amor de Hera, e também em BvS onde, realmente, aquele bicho foi realmente o Apocalipse. A modelagem do Cyborg (Ray Fisher), também, parece muito impressionante mas se você olhar bem, tá meio videogame. Então, Warner e DC, pra ontem: Melhorar efeitos especiais. Tá feio. Sério.

E é claro, desnecessário dizer que, num filme com tanta gente, alguns ficam menos explorados que outros. É quase impossível manter esse equilíbrio, então não vou considerar um ponto cabal pra odiar o filme. Na real até acho que eles mandam bem. Mas o mais foda é perceber que, em alguns momentos, um ou outro cara são inúteis. Então você começa a se perguntar “porque chamar esse cara pra Liga, então?”.

Fora a zorra do overpower, né?

Enfim, vamos parar de azedar, e falar d’

O QUE FOI BOM

Pô, um monte de coisas. Críticas comuns aos filmes da DC, principalmente dirigidos pelo Snyder, são a sombriedade (muitas vezes desnecessária), e o excesso de câmeras lentas. Esse filme resolve isso. É sombrio quando precisa, é luminoso quando precisa. É pesado, e é leve, e isso é muito bacana.

E eu particularmente gosto de comédias, então adorei a adição de piadas (principalmente as inseridas pelo Flash (Erza Miller), que é o meu favorito nesse filme). E as câmeras lentas tão bem usadas, aparecem quando precisam aparecer. Amém. E olha que esse filme sofre com um problema claro: as cenas do Mercúrio nos dois últimos filmes do X-Man saturaram o público de cenas de velocistas. Então iam ter que se virar pra fazer alguma coisa legal com o Flash. E pra mim, conseguiram. Serião.

Flash é ousadia e alegria nesse filme

As cenas de ação são muito bacanas. Apesar de eu achar que o Batman tava desnivelado com o resto (porque bem, ele é mesmo), as cenas são empolgantes.

Mas na real, uma coisa que eu não gostei é…

NÃO FOI BOM (drops)

…Que o filme é esquecível. Quem acompanha filmes de heróis já deve estar acostumado, eu sei disso, mas é muito triste ver histórias com potencial bacana serem tão descartáveis. E pra mim esse filme o é. Não quer dizer que o filme é ruim. Quer dizer só que, em pouco tempo, você não vai mais lembrar dele.

RESUMO

Muito divertido, vale o ingresso, vale a pipoca (mentira, não vale não, troço caro da desgraça), mas ele acaba cometendo vários erros que filmes de heróis vem cometendo há bastante tempo. E que já estão começando a não fazer mais. Então, era de se esperar que esses problemas já estivessem corrigidos aqui. Não estão. Ainda temos roteiro corrido e bobo, pós produção muitas vezes deixando a desejar, e que buscam o “feito massa veio”, mas não nos impactam de verdade. Mas acho que eles chegam lá. Vamos aguardar.

Os 5 heróis principais olhando para além da câmera

[1] Vou me posicionar logo: Eu gostei bastante de BvS quando assisti, mas sei que não é um filme bom, pelos vários defeitos que reconheci, e li a respeito depois. Eu não acho a desgraça absurda que comentam, pra mim é divertido, mas eu não considero bom.

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