Blade Runner: 2049 motivos para assistir (mentira, ia ser uma lista grande demais)

É hora de escrever sobre Blade Runner 2049. Eu queria um pouco mais de tempo para digeri-lo

SINOPSE

30 anos depois dos acontecimentos do Blade Runner original, K (Ryan Gosling) é um agente Blade Runner. Numa missão, acaba encontrando pistas que podem levá-lo à Deckard (Harrison Ford), e deixá-lo na mira da grande corporação Wallace.

K (Ryan Gosling) em cena

COMENTÁRIOS

Quem viu o filme original sabe que tem pelo menos duas formas de assisti-lo. A primeira, mais simples, é vê-lo como um filme de ação e ficção científica qualquer. Então ele se torna um filme bom, talvez parado demais, mas bem interessante. A segunda é tratá-lo como toda boa ficção científica deve ser tratada, como uma reflexão sobre nossa vida atual. E, nesse sentido, BR é um filme fantástico. Pra mim, inclusive, mais interessante do que o livro que lhe inspira, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas, de Philip K. Dick.

A continuação que estreia essa semana tenta seguir a linha do antecessor, mas com algumas mudanças. A primeira coisa, que foi bem o que eu demorei pra entender é: não é só uma continuação, é também uma atualização. Então sim, você vai ver diálogos semelhantes, tomadas semelhantes, trilha, fotografia, mas não vai ser a mesma coisa. Se você tá esperando uma transposição do antigo pro novo, talvez você se decepcione. O que eu acho um erro, porque esse é um filme muito bom.

Deckard (Harrison Ford)

Não só não é uma transposição estética, como é um filme mais explícito também. E mais dinâmico. Não me entendam mal, ainda é reflexivo e lento. Mas mais dinâmico que o antigo.

De certa forma é engraçado falar sobre, porque eu achei o plot do novo mais interessante que o antigo. Mas acho o antigo mais cativante e instigante do que o novo.

Porém, devemos analisar o filme por si, descolando ele do anterior. E o que eu posso dizer é que é melhor o espectador ir preparado. Porque ele é um filme lento, ele é um filme de muita diálogos, ele é um filme cheio de símbolos não falados. E isso pode afastar muita gente. O que é um erro. Até porque, galera, ouve o tio: se você acha um filme ruim só porque ele é lento, você tá sendo mimado. Grandes histórias são ágeis, mas grandes histórias são lentas também. Atentem mais a isso.

No mais, como eu falei pra equipe do site, eu queria ter mais tempo, talvez ver o filme mais uma vez antes de escrever sobre. Mas o que eu posso dizer é que eu gostei muito, e o diretor Denis Villeneuve fez um ótimo trabalho substituindo Ridley Scott e trazendo uma franquia tão icônica pros dias de hoje.

Sylvia Hoeks como Luv

O QUE EU GOSTEI:

  • Elenco e atuações, fantásticas. Até pessoas que já vimos antes e que não são  reconhecidos pela habilidade na atuação, como o Dave Bautista, estão incríveis. E o elenco desse filme é caprichado. Nomes a citar: Robin WrightJared LetoMackenzie Davis.
  • Direção de fotografia, de som, pós produção e efeitos especiais estão maravilhosos.
  • De certa forma, voltamos ao debate do filme anterior, mas por outra perspectiva, e isso é muito bom.
  • Por ser uma atualização, muitas coisas da linguagem foram “melhoradas”
Niander Wallace, por Jared Leto

 O QUE NÃO GOSTEI

  • Eu gosto muito do filme antigo então, até eu entender que esse não ia fazer uma transposição do anterior para hoje, eu por muitas vezes pensei “esse cenário não deveria ser assim”, ou “esse ângulo de câmera tá errado”. Você se adapta.
  • Algumas referências ao meu ver foram demais. Outras, eu gostaria de ter visto mais.
  •  Denis Villeneuve faz, sim, um bom trabalho, mas não é o Ridley Scott.
  • Do fato de eu estar muito cansado e cochilar no cinema XD

RESUMINDO

O novo Blade Runner é um grande filme, mas exige, primeiro, que você esteja pronto pra ele, e segundo, que você se de um tempo pra refletir sobre ele. Então ele pode ter grandes problemas com bilheteria, graças ao perfil atual do público de cinema, problema que o original também sofreu. Mas confirmo em mim, é muito bom.

Nota: 9/10

p.s.: JOVENS, se algumas vezes você achar que o filme copia o visual de Ghost in the Shell, lembre que o mangá que inspira GinS é lançado em 1989, e o Blade Runner original é de 1982 (e o Ovelhas é de 1968)

2 Comments

  1. Devo confessar que, por incrível que pareça, eu curti muito mais o segundo do que o primeiro (digo isso porque é muito difícil a gente gostar mais de continuações né? rs). Acredito que a forma como a história foi abordada me prendeu mais ao enredo do que o antecessor, dos anos 1980. Mas a reflexão foi totalmente válida para os dois, no meu ponto de vista

  2. Nossa, Isa, não consegui gostar. Achei um filme muito bonito visualmente, com uma trilha e uma edição incríveis, mas que não tem roteiro suficiente pras quase 3 horas. Nem como reflexão, nem outro motivo. Não colou pra mim.

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